Setembro Amarelo: Sinais de Risco de Suicídio e Como Conversar
Saúde Mental

Setembro Amarelo: Sinais de Risco de Suicídio e Como Conversar

Thiago C. Rodrigues

Psicólogo e neuropsicólogo · CRP 04/78676

Atualizado em
6 min de leitura

Sinais de risco de suicídio incluem desesperança, isolamento e despedidas. Veja como perguntar, o que dizer e evitar e onde buscar ajuda: CVV 188.

Os principais sinais de risco de suicídio são falas como "queria sumir" ou "não aguento mais", isolamento, despedidas, doação de objetos e uma calma repentina depois de muito desespero. Se você notar esses sinais, pergunte diretamente se a pessoa pensa em tirar a própria vida, escute sem julgar e busque ajuda junto com ela. O CVV atende pelo 188, sem custo e 24 horas por dia.

Setembro Amarelo é o mês de prevenção ao suicídio, mas a prevenção acontece nos outros onze também, e quase sempre começa do mesmo jeito: alguém percebe, alguém pergunta, alguém escuta. Este texto é para quem está preocupado com uma pessoa próxima, e também para quem está, neste momento, sem forças.

Se você está pensando em tirar a própria vida: ligue 188 (CVV, gratuito, 24 horas) ou acesse cvv.org.br. Em risco imediato, procure a emergência mais próxima ou ligue 192 (SAMU). Não precisa ter certeza de nada para pedir ajuda.

Setembro Amarelo: Por que Falar de Suicídio

Falar de suicídio importa porque ele é um problema de saúde pública que pode ser prevenido. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano, e o suicídio é a terceira principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. A OMS lembra ainda que, para cada morte, há muito mais pessoas que tentam, e que uma tentativa anterior é um importante fator de risco.

Mitos sobre Suicídio que Custam Vidas

Os mitos sobre suicídio atrasam a ajuda porque fazem as pessoas se calarem justamente quando deveriam perguntar. Os quatro mais comuns são falsos:

  • "Quem fala não faz." Falso: muitas pessoas que morrem por suicídio deram sinais antes. Falar é pedir ajuda.
  • "Perguntar sobre suicídio coloca a ideia na cabeça." Falso: uma revisão de Dazzi e colaboradores, do King's College London, publicada em 2014 na revista Psychological Medicine, não encontrou aumento de pensamentos suicidas em quem foi questionado sobre o tema, e sugere que falar pode até reduzi-los.
  • "É falta de Deus, de vergonha ou de coragem." Falso: é sofrimento extremo, muitas vezes ligado a transtornos tratáveis.
  • "Quem quer mesmo, ninguém impede." Falso: a crise suicida é ambivalente e muitas vezes passageira. Uma revisão sistemática de Owens e colaboradores, publicada em 2002 no British Journal of Psychiatry com 90 estudos, mostrou que cerca de 7% das pessoas atendidas após autolesão ou tentativa morreram por suicídio em mais de nove anos de acompanhamento: a grande maioria seguiu viva. Intervir funciona.

Sinais de Risco de Suicídio

Os sinais de risco de suicídio aparecem em três lugares: no que a pessoa diz, no que ela faz e no que está acontecendo na vida dela. A OMS observa que muitas crises surgem de forma impulsiva, diante de problemas financeiros, conflitos nos relacionamentos, dor crônica ou doença, por isso o contexto conta tanto quanto as palavras.

  • Nas falas: "queria sumir", "não aguento mais", "vocês ficariam melhor sem mim", "não vejo saída", despedidas veladas.
  • No comportamento: isolamento crescente; doar objetos importantes; resolver pendências, acertar contas, "organizar as coisas"; aumento de álcool ou drogas; buscar meios (remédios, armas); alterações bruscas de sono e apetite.
  • Um sinal traiçoeiro: calma súbita após um período de profundo desespero, que pode indicar decisão tomada.
  • No contexto: perdas recentes, término, demissão, diagnóstico, humilhação pública, histórico de tentativas, depressão ou outro transtorno sem tratamento.

Nenhum sinal isolado é conclusivo. Vários juntos, ou uma mudança marcante, pedem conversa hoje.

Como Conversar com Alguém que Pensa em Suicídio

Para conversar com alguém que pode estar pensando em suicídio, escolha um momento privado e sem pressa e comece pelo que você notou, sem julgamento: "Tenho percebido você mais quieto e distante, e fiquei preocupado. Como você está de verdade?" O objetivo não é resolver nada naquele momento, e sim abrir espaço para que a pessoa fale.

Pergunte diretamente. Sim, com essas palavras: "Você tem pensado em se machucar ou em tirar a própria vida?" A pergunta direta não fere; ela comunica que você aguenta ouvir a resposta.

Escute mais do que fala. Não interrompa, não minimize, não corra para soluções. Frases que ajudam: "Obrigado por me contar." "Faz sentido você estar esgotado." "Você não está sozinho nisso." "Vamos buscar ajuda juntos."

Evite: "Pensa nos seus filhos", "isso é egoísmo", "tem gente pior", "é falta de fé", "você não tem motivo". Todas essas frases aumentam a culpa, e a culpa é combustível da crise.

Se o Risco For Imediato

Se o risco for imediato, não deixe a pessoa sozinha e peça ajuda na hora: ligue para o 192 (SAMU), para o 188 (CVV) ou leve a pessoa à emergência mais próxima. Retire ou afaste os meios (remédios, objetos cortantes, armas); limitar o acesso aos meios está entre as intervenções que a OMS recomenda para prevenir o suicídio. Não prometa segredo: segurança vem antes de sigilo. E acione outras pessoas de confiança: você não precisa carregar isso só.

Depois da Conversa

Depois da conversa, o passo mais importante é transformar a preocupação em atendimento. Ajude a marcar consulta (psicólogo, psiquiatra, CAPS ou UBS) e, se possível, acompanhe. Mantenha contato nos dias seguintes; a crise não termina com a conversa. E cuide de você: apoiar alguém em risco é pesado, e buscar orientação profissional para si também é parte da prevenção. Se tiver dúvida sobre o momento, veja os sinais de que é hora de procurar um psicólogo.

Prevenção do Suicídio É Tratamento

Tratar o sofrimento psíquico é uma das formas mais concretas de prevenir o suicídio. Segundo a OMS, a ligação entre suicídio e transtornos mentais, em especial a depressão e o uso de álcool, está bem estabelecida em países de alta renda, assim como o peso de uma tentativa anterior. Transtorno bipolar, uso de outras substâncias, ansiedade grave e trauma também pedem cuidado. Tratar essas condições é prevenção, e o primeiro passo pode ser entender como é feito o diagnóstico de depressão.

Em crise, ligue 188 (CVV, gratuito e 24 horas) ou 192 (SAMU).

Se você convive com sofrimento assim, ou conhece alguém, a porta está aberta: atendo adolescentes, adultos e idosos em Belo Horizonte, no bairro Planalto, e online, e oriento familiares sobre como apoiar. Uma conversa pode ser o começo de outra história.

Este texto tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional individualizada.

Perguntas frequentes

perguntar sobre suicídio aumenta o risco?

Não. Uma revisão de Dazzi e colaboradores, publicada em 2014 na revista Psychological Medicine, não encontrou aumento de pensamentos suicidas em quem foi questionado sobre o tema. Perguntar de forma direta e acolhedora mostra que você aguenta ouvir e abre caminho para a ajuda.

quais são os sinais de risco de suicídio?

Falas como "queria sumir" ou "vocês ficariam melhor sem mim", isolamento, despedidas, doação de objetos, aumento de álcool ou drogas, busca de meios e calma súbita depois de muito desespero. Perdas recentes e tentativas anteriores aumentam o risco. Vários sinais juntos pedem conversa no mesmo dia.

o que falar para quem pensa em suicídio?

Comece pelo que você notou, pergunte diretamente se a pessoa pensa em tirar a própria vida e escute sem julgar. Frases como "obrigado por me contar" e "vamos buscar ajuda juntos" ajudam. Evite sermões, comparações e cobranças de fé, que aumentam a culpa.

o cvv 188 atende 24 horas?

Sim. O Centro de Valorização da Vida (CVV) atende pelo telefone 188 em todo o Brasil, 24 horas por dia e sem custo de ligação, e também por chat e e-mail em cvv.org.br. Em risco imediato, ligue para o SAMU no 192 ou vá à emergência mais próxima.

Referências

  1. OMS: Suicide (fact sheet)
  2. PubMed: Does asking about suicide and related behaviours induce suicidal ideation? What is the evidence? (Dazzi e colaboradores, Psychological Medicine, 2014)
  3. PubMed: Fatal and non-fatal repetition of self-harm. Systematic review (Owens e colaboradores, British Journal of Psychiatry, 2002)
  4. CVV: Centro de Valorização da Vida, apoio emocional pelo 188

Gostou do artigo? Compartilhe com alguém que pode se beneficiar!

Compartilhar no WhatsApp

Isso pode te ajudar

Se algo em você pede para ser ouvido, conheça o acompanhamento psicológico com TCC.

Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) em BH e Online

Precisa de ajuda profissional?

Se você está enfrentando dificuldades relacionadas a este tema, agende uma consulta para um acompanhamento personalizado.

Agendar Consulta
Thiago C. Rodrigues, psicólogo e neuropsicólogo · CRP 04/78676
Av. Dr. Cristiano Guimarães, 928, sala 310, 2º andar, Planalto, Belo Horizonte, MG, 31720-240 · (31) 97127-0483