Primeira Sessão de Terapia: O que Acontece e o que Falar
Saúde Mental

Primeira Sessão de Terapia: O que Acontece e o que Falar

Thiago C. Rodrigues

Psicólogo e neuropsicólogo · CRP 04/78676

Atualizado em
6 min de leitura

Na primeira sessão de terapia com o psicólogo, você conta o que o trouxe e combina sigilo e frequência. Veja o que falar e como se preparar.

Na primeira sessão de terapia, você conversa com o psicólogo sobre o que te trouxe, responde a algumas perguntas sobre a sua história e combina como o trabalho vai funcionar. Não é preciso saber o que falar nem contar tudo de uma vez: o profissional conduz a conversa, e o que você disser fica protegido pelo sigilo previsto no Código de Ética Profissional do Psicólogo.

A maior parte das pessoas chega à primeira sessão com a mesma pergunta silenciosa: "e se eu não souber o que dizer?". Este texto existe para tirar o mistério (e a ansiedade) do primeiro encontro.

Como É a Primeira Sessão com Psicólogo

A primeira sessão com psicólogo é, antes de tudo, um encontro de reconhecimento mútuo. Do meu lado, quero entender o que te trouxe, como isso aparece na sua vida e o que você espera. Do seu lado, você conhece minha forma de trabalhar e sente se há conforto para seguir.

Em geral, ela envolve: uma conversa sobre o motivo da procura, no seu ritmo, com o nível de detalhe que você quiser; algumas perguntas sobre sua história (família, trabalho, relações, saúde, tratamentos anteriores); os combinados práticos, como frequência, duração, valores, sigilo e política de faltas; e, muitas vezes, uma primeira hipótese sobre o que está acontecendo e como poderíamos trabalhar.

Não é uma prova, não há deitar no divã, não há silêncio constrangedor. É uma conversa estruturada, conduzida por mim, com espaço para você.

O que Falar na Primeira Sessão de Terapia

Na primeira sessão de terapia, você pode falar do que te fez marcar a consulta agora, do jeito que conseguir. Não precisa saber por onde começar: dizer "não sei nem por onde começar" é um começo perfeitamente válido, e comum. Você também pode começar pelo sintoma ("não estou dormindo"), pelo evento ("terminei um relacionamento") ou pela sensação vaga ("algo não está bem há meses"). A partir de qualquer ponto, as perguntas certas levam ao que importa.

Se ajudar, anote antes: três coisas que te incomodam, desde quando, e o que você gostaria que fosse diferente. Não é obrigatório; é só uma muleta para a ansiedade do primeiro dia.

Por que o Vínculo com o Psicólogo Importa

O vínculo de confiança e de colaboração entre você e o terapeuta, chamado de aliança terapêutica, é um dos fatores mais estudados em psicoterapia. Uma metanálise de Flückiger e colaboradores, publicada em 2018 na revista Psychotherapy, reuniu 295 estudos com mais de 30 mil pacientes e encontrou uma relação positiva e consistente entre a qualidade dessa aliança e o resultado do tratamento, tanto no atendimento presencial quanto no feito pela internet. Por isso vale observar, já no primeiro encontro, se você se sente ouvido e respeitado.

Perguntas que Você Pode (e Deve) Fazer ao Psicólogo

Na primeira sessão, você pode e deve perguntar ao psicólogo como ele trabalha, porque ela também é a sua entrevista com o terapeuta. O Código de Ética Profissional do Psicólogo, do Conselho Federal de Psicologia, inclui entre os deveres do profissional informar sobre o trabalho a ser realizado e o seu objetivo. Pergunte: qual a sua abordagem e como ela funciona na prática? Como você trabalha com o meu tipo de queixa? Quanto tempo costuma durar? Como funcionam sigilo, faltas e valores? Um bom profissional responde com clareza, sem evasivas.

No meu caso: trabalho com Terapia Cognitivo-Comportamental, uma abordagem estruturada e com base científica, combinada com uma escuta que respeita o seu tempo. Definimos objetivos juntos e você sempre entende o que estamos fazendo e por quê.

Medos Comuns na Primeira Consulta, e a Realidade

Os medos mais comuns antes da primeira consulta com psicólogo são chorar, ser julgado, ter de contar tudo de uma vez e não gostar do terapeuta. Nenhum deles impede o começo, e cada um tem uma resposta simples:

  • "Vou chorar." Talvez. É bem-vindo e comum; ninguém se constrange com isso no consultório.
  • "Vou ser julgado." O trabalho do psicólogo é exatamente não julgar, e o artigo 9º do Código de Ética obriga o profissional a guardar sigilo sobre o que você disser. As exceções são raras, previstas no próprio código, e mesmo nelas só se revela o estritamente necessário.
  • "Vou ter que contar tudo de uma vez." Não. Você conta o que quiser, quando quiser; a confiança se constrói.
  • "E se eu não gostar?" Você não tem obrigação de continuar. A primeira sessão serve justamente para decidir, e isso é normal e esperado.

Interromper também é mais comum do que parece. Uma metanálise de Swift e Greenberg, publicada em 2012 no Journal of Consulting and Clinical Psychology com 669 estudos e mais de 83 mil pacientes, estimou que cerca de 1 em cada 5 pessoas (19,7%) deixa a terapia antes do combinado. Se algo não encaixar, dizer isso ao terapeuta ajuda a ajustar o trabalho ou a buscar um encaminhamento melhor.

Como se Preparar para a Terapia

Para se preparar para a primeira sessão de terapia, basta reservar um tempo antes e depois, garantir privacidade e ir sem a expectativa de resolver tudo no primeiro dia. Não chegue correndo de uma reunião nem saia direto para outra. Se for online, garanta um lugar privado e fones de ouvido. Vá sem a expectativa de "resolver tudo hoje": a primeira sessão é o início de um processo, não a conclusão. E vá com honestidade, inclusive sobre suas dúvidas em relação à terapia. Isso também é material de trabalho.

Se você ainda está em dúvida se precisa mesmo buscar terapia, veja os sinais de que chegou a hora de procurar um psicólogo.

Depois da Primeira Sessão

Depois da primeira sessão, é comum sair leve, ou mais mexido, ou com mais perguntas do que respostas. Todos são sinais de que algo se moveu. Nas sessões seguintes, o trabalho ganha forma: metas, estratégias e a experiência de ter um espaço só seu, toda semana. Para acompanhar esse caminho, veja como saber se a terapia está funcionando e quanto tempo ela dura.

Atendo adolescentes, adultos e idosos em Belo Horizonte, no bairro Planalto, e online, com psicoterapia baseada na TCC. Se a única coisa entre você e a terapia é o medo do primeiro dia, agora você sabe o que esperar dele.

Este texto tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional individualizada.

Perguntas frequentes

o que falar na primeira sessão de terapia?

Fale do motivo que te levou a marcar a consulta, do jeito que conseguir: um sintoma, um acontecimento ou só a sensação de que algo não vai bem. Dizer que não sabe por onde começar também é um bom começo, porque o psicólogo conduz a conversa com perguntas.

como é a primeira consulta com psicólogo?

É uma conversa sobre o que te trouxe, a sua história de vida e de saúde e os combinados práticos, como frequência, sigilo e faltas. Não é uma prova e não há resposta certa. Muitas vezes, ao final, o psicólogo já compartilha uma primeira ideia de como o trabalho pode seguir.

o psicólogo pode contar o que eu falei na terapia?

Em regra, não. O artigo 9º do Código de Ética Profissional do Psicólogo obriga o profissional a guardar sigilo sobre o que ouve no atendimento. As exceções são raras e previstas no próprio código, e mesmo nelas o psicólogo deve revelar apenas o estritamente necessário.

e se eu não gostar do psicólogo na primeira sessão?

Você não tem obrigação de continuar. A primeira sessão serve também para avaliar se há confiança, e a qualidade desse vínculo está ligada ao resultado da terapia, segundo uma metanálise de Flückiger e colaboradores publicada em 2018. Vale dizer o que incomodou ou procurar outro profissional.

Referências

  1. CFP: Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 010/2005)
  2. PubMed: The alliance in adult psychotherapy: A meta-analytic synthesis (Flückiger e colaboradores, Psychotherapy, 2018)
  3. PubMed: Premature discontinuation in adult psychotherapy: a meta-analysis (Swift e Greenberg, Journal of Consulting and Clinical Psychology, 2012)

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