Síndrome do Pânico: Sintomas, Crise, Tratamento e Se Tem Cura
Ansiedade

Síndrome do Pânico: Sintomas, Crise, Tratamento e Se Tem Cura

Thiago C. Rodrigues

Psicólogo e neuropsicólogo · CRP 04/78676

Atualizado em
6 min de leitura

Síndrome do pânico é ter crises repetidas de medo intenso e medo da próxima crise. Veja sintomas, a diferença para o infarto, o tratamento e se tem cura.

Síndrome do pânico, ou transtorno de pânico, é a repetição de crises inesperadas de medo intenso, com coração disparado, falta de ar e tontura, somada ao medo constante de ter a próxima crise. A crise assusta muito, mas não causa infarto nem loucura. O tratamento psicológico recomendado pelas diretrizes internacionais é a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), às vezes combinada com remédio prescrito por psiquiatra.

Coração disparado, falta de ar, tontura, formigamento, uma certeza avassaladora de que algo terrível está acontecendo: um infarto, um desmaio, a morte. Quem já teve uma crise de pânico sabe: é uma das experiências mais assustadoras que existem. E uma das mais incompreendidas.

Sintomas de Pânico: O que É uma Crise de Pânico?

A crise (ou ataque) de pânico é uma onda súbita de medo intenso que atinge o pico em poucos minutos, acompanhada de sintomas físicos fortes: taquicardia, sudorese, tremores, falta de ar, aperto no peito, náusea, tontura, ondas de calor ou frio, formigamentos, sensação de irrealidade (como estar "fora do corpo") e medo de perder o controle, enlouquecer ou morrer. Segundo o NHS, o serviço público de saúde do Reino Unido, a maioria das crises de pânico dura entre 5 e 20 minutos, e há relatos de crises que chegam a uma hora.

Fisiologicamente, a crise é o sistema de alarme do corpo, a resposta de luta ou fuga, disparando sem perigo real. Todos os sintomas são a preparação do organismo para reagir a uma ameaça: o coração acelera para bombear sangue, a respiração muda para captar oxigênio, os músculos tensionam. É intensamente desconfortável, mas não é perigoso: o próprio NHS orienta lembrar, durante a crise, que ela não ameaça a vida. Uma crise de pânico não causa infarto nem loucura, e a sensação de irrealidade tem explicação, como mostro no texto sobre medo de enlouquecer e despersonalização.

Crise de Pânico ou Infarto?

Diante de dor no peito, a conduta certa é sempre buscar avaliação médica, especialmente na primeira vez: só os exames descartam um problema no coração. Na crise de pânico, os sintomas atingem o pico em poucos minutos e vão cedendo, costumam vir com sensação de irrealidade e medo de enlouquecer, e os exames cardíacos vêm normais. A diretriz CG113 do NICE, o instituto britânico que avalia tratamentos, observa que, entre quem chega à emergência com dor no peito, o pânico é causa mais provável quando não há doença coronariana, em mulheres e em pessoas mais jovens.

Essa dúvida leva muita gente ao pronto-socorro. Muitas pessoas com síndrome do pânico têm histórico de várias idas à emergência com exames repetidamente normais. Se esse é o seu caso, a próxima avaliação a fazer talvez não seja cardiológica. Vale conhecer também os sintomas físicos da ansiedade, como tontura, falta de ar e dor no peito.

Quando Vira Síndrome do Pânico?

Ter uma crise isolada não é ter o transtorno. A síndrome do pânico (transtorno de pânico) se caracteriza por crises recorrentes e inesperadas somadas ao medo persistente de ter novas crises, e é esse medo que aprisiona. A Organização Mundial da Saúde (OMS) descreve o transtorno de pânico exatamente assim: crises de pânico e medo de que elas continuem. Nos Estados Unidos, o Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH) estima que 2,7% dos adultos tiveram transtorno de pânico no último ano e que 4,7% o terão em algum momento da vida, com taxa anual maior entre mulheres (3,8%) do que entre homens (1,6%).

A pessoa passa a evitar lugares e situações associados às crises: dirigir, shopping, filas, transporte público, ficar sozinha. O mundo vai encolhendo. Em casos mais graves, desenvolve-se a agorafobia, a evitação de qualquer lugar de onde "seria difícil escapar".

O paradoxo central do pânico: quanto mais você evita, mais o medo cresce. A evitação alivia na hora e alimenta o transtorno no longo prazo.

Tratamento da Síndrome do Pânico com TCC

A Terapia Cognitivo-Comportamental é o tratamento psicológico recomendado para o transtorno de pânico pela diretriz CG113 do NICE, que indica de 7 a 14 horas de terapia no total, em geral em sessões semanais de 1 a 2 horas, concluídas em no máximo 4 meses. A OMS também aponta as intervenções baseadas na TCC, entre elas a exposição, como as de maior evidência para os transtornos de ansiedade. O trabalho envolve:

Psicoeducação: entender o que acontece no corpo durante a crise. Só isso já reduz o medo, porque desmonta as interpretações catastróficas ("vou morrer", "vou enlouquecer") que amplificam os sintomas.

Reestruturação cognitiva: identificar e testar os pensamentos catastróficos associados às sensações físicas. O coração acelerado deixa de significar "infarto" e volta a ser só um coração acelerado.

Exposição interoceptiva: induzir, de forma gradual e controlada, as sensações temidas (como a tontura e a taquicardia) para que o cérebro aprenda, na prática, que elas são inofensivas.

Exposição gradual às situações evitadas: reconquistar, passo a passo, os lugares e atividades que o medo tomou.

Em alguns casos, a medicação (prescrita por psiquiatra) é aliada importante, especialmente no início. A decisão é sempre individualizada. A mesma diretriz do NICE desaconselha os benzodiazepínicos, os calmantes de tarja preta, no tratamento do transtorno de pânico, porque eles se associam a um resultado pior no longo prazo.

Crise de Pânico: O que Fazer na Hora

Lembre-se de que a crise tem começo, meio e fim: ela passa, tipicamente em minutos. Alongue a expiração: inspire pelo nariz em 4 segundos e expire lentamente pela boca em 6 a 8 segundos; a expiração longa freia a resposta de alarme. Ancore-se no presente: nomeie 5 coisas que você vê, 4 que sente no corpo, 3 que ouve. E não fuja do lugar, se for seguro ficar: sair no pico da crise ensina o cérebro de que o lugar era perigoso. Reuni mais técnicas no guia sobre crise de ansiedade: o que fazer na hora.

Síndrome do Pânico Tem Cura?

Ninguém pode prometer cura, mas a síndrome do pânico tem tratamento eficaz, e o objetivo realista é que as crises percam força e deixem de comandar a rotina. Com a TCC, muita gente volta a dirigir, viajar e viver sem organizar a vida em torno da próxima crise. O problema é que, segundo a OMS, só cerca de 1 em cada 4 pessoas com transtornos de ansiedade recebe algum tratamento. Explico a diferença entre cura, remissão e controle no texto ansiedade tem cura?.

Atendo adolescentes, adultos e idosos com transtorno de pânico e agorafobia em Belo Horizonte, presencialmente no bairro Planalto, e online, com Terapia Cognitivo-Comportamental. Se as crises estão limitando a sua vida, existe caminho.

Este texto tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional individualizada.

Perguntas frequentes

síndrome do pânico tem cura?

Ninguém pode garantir cura, mas a síndrome do pânico tem tratamento eficaz. A Terapia Cognitivo-Comportamental é o tratamento psicológico recomendado pela diretriz CG113 do NICE, com 7 a 14 horas de terapia no total, e pode ser combinada com remédio prescrito por psiquiatra. O objetivo é que as crises percam força e deixem de comandar a rotina.

quais são os sintomas de pânico?

Uma crise de pânico traz medo intenso que chega ao pico em poucos minutos, com coração disparado, suor, tremor, falta de ar, aperto no peito, náusea, tontura, ondas de calor ou frio, formigamento, sensação de irrealidade e medo de enlouquecer ou morrer. Segundo o NHS, a maioria das crises dura entre 5 e 20 minutos.

como saber se é crise de pânico ou infarto?

Só a avaliação médica descarta um problema no coração, por isso dor no peito deve sempre ser examinada, principalmente na primeira vez. Na crise de pânico, os sintomas atingem o pico em poucos minutos e cedem, vêm com sensação de irrealidade e os exames cardíacos são normais. Idas repetidas à emergência com exames normais sugerem investigar o pânico.

qual especialista trata síndrome do pânico?

O psicólogo faz a psicoterapia, e a Terapia Cognitivo-Comportamental é a abordagem recomendada para o transtorno de pânico. O psiquiatra avalia se há indicação de remédio e acompanha a medicação. Em muitos casos os dois trabalham juntos. Diante de dor no peito, o primeiro passo é uma avaliação médica para descartar causas cardíacas.

Referências

  1. NHS: Panic disorder
  2. NICE: Generalised anxiety disorder and panic disorder in adults: management (CG113), Recommendations
  3. NIMH: Panic Disorder (statistics)
  4. OMS: Anxiety disorders (fact sheet)

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