Demência Frontotemporal: Quando os Primeiros Sinais São de Comportamento, e Não de Memória
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Demência Frontotemporal: Quando os Primeiros Sinais São de Comportamento, e Não de Memória

Thiago C. Rodrigues

Thiago C. Rodrigues

Psicólogo | CRP-04/78676

24 de setembro de 2026
7 min de leitura

A demência frontotemporal costuma começar antes dos 65 anos, com mudanças de personalidade, impulsividade ou dificuldades de linguagem. Veja os sinais, por que ela é confundida e como é a avaliação.

A demência frontotemporal é um grupo de doenças que afeta principalmente as regiões frontais e temporais do cérebro. Diferente do Alzheimer, os primeiros sinais costumam ser mudanças de comportamento, de personalidade ou de linguagem, e não perda de memória. Ela aparece com frequência entre os 45 e os 65 anos, o que faz muitos casos serem confundidos com depressão, crise da meia-idade ou transtornos psiquiátricos.

Variante Comportamental

É a forma mais conhecida. Os sinais incluem:

  • Perda de empatia e indiferença com pessoas próximas
  • Desinibição, com comentários ou atitudes socialmente inadequadas
  • Impulsividade, gastos exagerados e decisões arriscadas
  • Apatia e perda de iniciativa
  • Mudanças no apetite, com compulsão por doces
  • Comportamentos repetitivos e rituais

A pessoa geralmente não percebe essas mudanças. Quem nota primeiro é a família, que costuma descrever: "ele virou outra pessoa".

Variantes de Linguagem

Nas afasias progressivas primárias, o primeiro sinal é a dificuldade com a linguagem: falar de forma cada vez mais lenta e trabalhosa, trocar palavras ou perder o significado de palavras conhecidas.

Por que é Tão Confundida

Como a memória pode estar preservada no início e a idade é mais baixa, os sintomas são atribuídos a depressão, estresse, problemas no casamento ou transtorno bipolar. Não é raro que o diagnóstico demore anos.

Como é a Investigação

O diagnóstico é feito pelo neurologista, com exames de imagem. A avaliação neuropsicológica tem papel importante: mede funções executivas, cognição social, comportamento e linguagem, que costumam ser as áreas afetadas primeiro, e ajuda a diferenciar a demência frontotemporal de quadros psiquiátricos. A entrevista com a família é parte essencial do processo.

O que Muda com o Diagnóstico

Não há, até hoje, tratamento que interrompa a doença, mas o diagnóstico permite:

  • Ajustar medicações para controlar sintomas comportamentais
  • Proteger a pessoa de decisões financeiras e situações de risco
  • Orientar a família sobre como lidar com as mudanças de comportamento
  • Planejar cuidados e questões legais com antecedência

O cuidado com a família é central, porque a convivência com as mudanças de personalidade é muito desgastante. Veja também o artigo sobre cuidador de idoso com demência.

Realizo avaliação neuropsicológica em Belo Horizonte, no bairro Planalto, com orientação às famílias.

Este texto tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional individualizada.

Perguntas frequentes

Quais são os primeiros sintomas da demência frontotemporal?

Mudanças de comportamento e de personalidade, como desinibição, impulsividade, apatia e perda de empatia, ou dificuldades de linguagem. A memória costuma estar preservada no início.

Com que idade começa a demência frontotemporal?

Com frequência entre os 45 e os 65 anos, mais cedo do que a maioria dos casos de Alzheimer, o que faz os sintomas serem confundidos com problemas psiquiátricos ou crise da meia-idade.

Demência frontotemporal tem tratamento?

Ainda não há tratamento que interrompa a doença, mas medicações ajudam a controlar sintomas comportamentais, e a orientação à família, a proteção financeira e o planejamento de cuidados fazem grande diferença.

Como a avaliação neuropsicológica ajuda na demência frontotemporal?

Ela mede funções executivas, cognição social, linguagem e comportamento, áreas afetadas primeiro, e ajuda a diferenciar a demência frontotemporal de depressão e transtornos psiquiátricos.

Referências

  1. National Institute on Aging: What are frontotemporal disorders?
  2. Organização Mundial da Saúde: Dementia (fact sheet)

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