TDAH e Dislexia no Concurso: Como Pedir Tempo Extra na Prova
Neuropsicologia

TDAH e Dislexia no Concurso: Como Pedir Tempo Extra na Prova

Thiago C. Rodrigues

Psicólogo e neuropsicólogo · CRP 04/78676

5 min de leitura

TDAH e dislexia no concurso: por que em regra não dão vaga PcD, como pedir tempo adicional e atendimento especial, e que laudo os editais costumam pedir.

Em regra, TDAH e dislexia não dão direito à vaga reservada para pessoa com deficiência. O que o candidato pode pedir é atendimento especial na prova, como tempo adicional, sala separada, ledor ou fiscal transcritor, conforme o edital e a lei que vale para aquele concurso. O pedido costuma exigir laudo e ter prazo curto, dentro do período de inscrição.

Saber o conteúdo e não conseguir terminar a prova a tempo é uma frustração conhecida de quem tem TDAH ou dislexia. Existem caminhos formais para reduzir essa barreira.

Por que TDAH e dislexia não costumam dar vaga PcD?

A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) considera pessoa com deficiência quem tem impedimento de longo prazo que, em interação com barreiras, pode obstruir sua participação em igualdade de condições. Os editais e as equipes de avaliação, em geral, não enquadram TDAH ou dislexia, isoladamente, nessa definição.

Diferente do autismo, que a Lei nº 12.764/2012 equipara à deficiência, TDAH e dislexia não têm equiparação expressa em lei federal. A Lei nº 14.254/2021 trata do acompanhamento de estudantes com esses transtornos na escola, e não de vagas em concurso. Se você tem outra condição associada, o enquadramento é analisado caso a caso, como explico em laudo PcD para concurso.

O que o Decreto 9.508/2018 diz sobre tempo adicional?

O decreto vale para concursos federais. No art. 4º, § 2º, ele prevê que o candidato com deficiência que precisar de tempo adicional faça o pedido no prazo do edital, com justificativa acompanhada de parecer de equipe multiprofissional ou de profissional especialista nos impedimentos apresentados. O texto trata do candidato com deficiência e não cita TDAH nem dislexia.

Nos concursos federais, o tema também está sendo discutido na Justiça, com decisões favoráveis ao tempo adicional para dislexia e TDAH quando há comprovação técnica da necessidade. Como a questão ainda não está pacificada, confira o que o seu edital prevê e, se o pedido for negado, busque orientação jurídica. Por isso, confira se o edital do seu concurso traz essa previsão.

E nos concursos do Estado de Minas Gerais?

A Lei estadual nº 25.920, de 8 de junho de 2026, assegura atendimento especializado a candidatos com TDAH ou dislexia nos concursos da administração direta e indireta do Estado. Ela prevê:

  • Tempo adicional de até 90 minutos para fazer as provas.
  • Tecnologias assistivas para leitura e preenchimento, quando solicitadas, na forma de regulamento.
  • Enquanto essas tecnologias não forem regulamentadas: ledor, transcritor para o cartão de respostas e sala diferenciada para quem pedir ledor ou transcritor.

A lei exige laudo médico que ateste o grau ou o nível do TDAH ou da dislexia e declare a necessidade do tempo adicional e das demais medidas. A vigência começa 90 dias após a publicação, e a lei vale só para editais publicados depois disso. Concursos municipais e federais seguem outras regras.

Que atendimentos especiais costumam existir?

  • Tempo adicional para fazer a prova.
  • Sala separada ou com menos candidatos.
  • Ledor, que lê as questões em voz alta.
  • Fiscal transcritor, que preenche o cartão de respostas.
  • Outros recursos que a banca preveja no edital.

Cada banca define o que oferece, os prazos e os documentos. O pedido costuma ser feito na inscrição, pelo sistema da banca. Perder esse prazo, em geral, significa ficar sem o atendimento naquele concurso.

Que tipo de laudo costuma ser pedido?

  • Laudo com diagnóstico e código da CID, muitas vezes laudo médico.
  • Descrição de como a condição afeta a realização de provas.
  • Justificativa clara do atendimento pedido, como tempo adicional ou ledor.
  • Data de emissão dentro do prazo do edital, assinatura e número de registro do profissional.

Alguns editais aceitam parecer de outros profissionais especialistas. Outros só aceitam laudo médico. Leia o edital antes de marcar qualquer consulta. Veja também como conseguir o laudo de TDAH adulto.

Como a avaliação neuropsicológica documenta a necessidade?

A avaliação neuropsicológica mede, com testes padronizados, o que o edital e o médico precisam enxergar. Ela transforma a queixa em dados.

Atenção e velocidade

Avalia atenção sustentada, seletiva e dividida, velocidade de processamento e memória de trabalho. Mostra se o desempenho cai quando há limite de tempo.

Leitura e escrita

Examina decodificação, fluência, compreensão de leitura e ortografia. É a base para investigar a dislexia, tema de dislexia em adultos.

Funções executivas

Investiga planejamento, controle inibitório, flexibilidade e organização, que pesam em provas longas.

O laudo neuropsicológico não substitui o laudo médico quando o edital exige laudo médico. Ele fundamenta o pedido e ajuda o médico a descrever a necessidade de forma objetiva.

Erros que mais derrubam o pedido

  • Pedir vaga PcD quando o caso é de atendimento especial.
  • Perder o prazo de inscrição para o atendimento.
  • Apresentar laudo sem justificar a necessidade do tempo adicional.
  • Usar laudo desatualizado pelo critério do edital.
  • Não anexar o documento no sistema da banca.

Precisa de laudo para pedir tempo extra na prova?

Eu faço avaliação neuropsicológica completa de adolescentes e adultos com suspeita de TDAH ou dislexia, com laudo psicológico detalhado para pedidos de atendimento especial, vagas PcD e outras finalidades. Quando o edital exige documento médico, o laudo neuropsicológico complementa o laudo médico, sem substituí-lo.

Realizo avaliação neuropsicológica com laudo para candidatos a vagas PcD em concursos e empresas, pedidos de atendimento especial em provas e outras necessidades, em Belo Horizonte (bairro Planalto) e online.

Este texto tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional individualizada.

Perguntas frequentes

tdah tem direito a vaga pcd em concurso?

Em regra, não. TDAH sozinho não costuma enquadrar a pessoa como PcD; o que existe é o pedido de atendimento especial, como tempo adicional, conforme o edital e a lei aplicável.

como pedir tempo adicional no concurso com tdah?

Faça o pedido de atendimento especial no período de inscrição, pelo sistema da banca, anexando o laudo exigido no edital. O laudo deve justificar por que você precisa de mais tempo.

dislexia tem direito a ledor em concurso?

Depende do edital e da lei que vale para o concurso. Em Minas Gerais, a Lei nº 25.920/2026 prevê ledor e transcritor nos concursos estaduais, para editais publicados após sua entrada em vigor, enquanto as tecnologias assistivas não forem regulamentadas.

quanto tempo a mais tem quem tem tdah no concurso?

Não há um tempo único nacional. Nos concursos do Estado de Minas Gerais, a lei de 2026 prevê até 90 minutos; nos demais, vale o que o edital e a banca definirem.

Referências

  1. Decreto nº 9.508, de 24 de setembro de 2018 (Planalto)
  2. Lei estadual nº 25.920, de 8 de junho de 2026, Minas Gerais (ALMG)
  3. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015, Lei Brasileira de Inclusão (Planalto)

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