Perguntas para Fazer ao Psicólogo sobre Método e Evidência Científica
Psicoterapia

Perguntas para Fazer ao Psicólogo sobre Método e Evidência Científica

Thiago C. Rodrigues

Psicólogo e neuropsicólogo · CRP 04/78676

6 min de leitura

Como saber se a terapia que me oferecem é séria? Seis perguntas para o psicólogo sobre método e resultados, e sinais de alerta que pedem atenção.

Você marcou uma consulta, ou está comparando profissionais, e quer saber se o método que vão lhe oferecer tem respaldo de verdade. Pode perguntar. Perguntar não é desconfiar, é participar de uma decisão que envolve a sua saúde, o seu tempo e a sua rotina. A seguir, seis perguntas práticas, o que esperar de uma boa resposta e quais sinais pedem cautela.

Em resumo: Vale perguntar ao psicólogo como ele entende o seu problema, qual abordagem pretende usar e por quê, quais objetivos e prazos de revisão sugere, como vai acompanhar a sua evolução e o que fará se não houver melhora. Respostas claras, sem promessa de cura e abertas a ajustes são bom sinal. Perguntar faz parte do tratamento, não o atrapalha.

Por que perguntar é legítimo

A definição de prática baseada em evidências em psicologia, formulada por uma força-tarefa da APA em 2006, coloca as características, a cultura e as preferências do paciente dentro da própria prática, ao lado da melhor pesquisa e da expertise clínica. Ou seja, a sua participação não é um favor do profissional: é parte do método. Se quiser entender melhor esse conceito, veja o que é psicoterapia baseada em evidências.

Também ajuda saber que a pesquisa não aponta uma única terapia vencedora. Em uma metanálise em rede com 331 ensaios sobre depressão, Cuijpers e colaboradores (2021) concluíram que as principais psicoterapias foram eficazes e tiveram poucas diferenças entre si, de modo que preferência do paciente e disponibilidade podem pesar na escolha. Por isso, desconfie de quem apresenta um método como a única resposta para todos.

Seis perguntas e como interpretar as respostas

PerguntaResposta que ajudaSinal de alerta
Como você entende o que estou vivendo?Hipótese clara, em linguagem simples e provisóriaCerteza imediata, rótulos prontos, nenhuma avaliação
Que abordagem vai usar e por quê?Nome da abordagem e relação com a sua queixaMétodo "exclusivo", respostas vagas
Quais serão os objetivos e quando revisamos?Metas combinadas e revisões periódicasAusência de objetivos e de revisão
Como vamos saber se estou melhorando?Indicadores combinados com você"O tempo vai mostrar"
E se eu não melhorar?Ajustes, mudança de estratégia, encaminhamentoCulpa do paciente ou insistência sem revisão
O que ainda não se sabe sobre o meu caso?Reconhecimento de limites e incertezasPromessa de cura ou de resultado certo

Algumas observações sobre a tabela. A segunda pergunta não exige que o psicólogo cite artigos, mas que consiga explicar, sem jargão, por que a abordagem faz sentido para o seu problema. A quarta e a quinta são as que mais separam um processo bem conduzido de um processo no piloto automático: acompanhar a evolução e ter um plano para o cenário em que ela não vem. Os indicadores podem ser a própria conversa, registros que você faz entre as sessões ou, em alguns casos, questionários. Leia mais em como acompanhar sua evolução na terapia.

Para ficar mais concreto, imagine alguém que evita sair de casa por causa da ansiedade. Uma resposta útil à terceira e à quarta perguntas seria algo como: "vamos combinar que, em seis semanas, você volte a fazer duas saídas por semana que hoje evita, e reavaliamos juntos o que ajudou e o que não ajudou". Há um objetivo observável, um prazo de revisão e uma forma de checar. Compare com "vamos ver como você se sente ao longo do processo", que é gentil, mas não permite saber se algo está mudando.

Sinais de alerta que merecem atenção

  • Promessa de cura, de resultado certo ou de melhora em prazo fixo.
  • Método apresentado como "revolucionário" ou secreto, sem explicação de como funciona.
  • Relatos de outros pacientes usados como prova de eficácia, no lugar de uma explicação do raciocínio clínico.
  • Desencorajar segunda opinião ou avaliação com outros profissionais, quando isso seria pertinente.
  • Orientar a parar, trocar ou iniciar medicamentos. Essa decisão é do médico, e o psicólogo deve encaminhar e dialogar com ele quando necessário.
  • Fazer a pessoa se sentir culpada por não melhorar, em vez de reavaliar o plano.

Nenhum desses sinais, isolado, prova má-fé. Mas vale conversar sobre eles e observar como o profissional reage. Um primeiro passo simples é confirmar se o profissional tem registro ativo no Conselho Regional de Psicologia. Para mais critérios de escolha, veja como escolher um bom psicólogo.

Como fazer as perguntas sem tensão

Você pode perguntar antes de agendar, por mensagem, ou na primeira sessão, que costuma ser também um momento de avaliação mútua. Frases como "gostaria de entender como funciona o seu trabalho" ou "como vamos saber se estou evoluindo?" funcionam bem e dispensam tom de questionamento. Quem trabalha com cuidado costuma receber esse tipo de pergunta com naturalidade. Veja o que costuma acontecer nesse começo em primeira sessão de terapia.

Suas preferências também contam, e a pesquisa sustenta isso. Em uma metanálise com 53 estudos e mais de 16 mil pacientes, Swift e colaboradores (2018) observaram que acolher a preferência do cliente quanto ao tratamento esteve associado a menos desistências e a resultados um pouco melhores do que oferecer uma opção não preferida. Falar do que você espera, do que o incomoda e do que não tolera não é capricho: é informação clínica.

Se a resposta não convencer

Uma resposta evasiva não significa necessariamente que o profissional seja ruim, mas significa que você ainda não tem o que precisa para decidir. Você pode pedir esclarecimentos, dar um tempo combinado de experiência, avaliar outro profissional ou levar a dúvida a um médico de confiança. Nem toda dificuldade é de método: às vezes o vínculo ainda não se formou, tema que aparece em aliança terapêutica. E, se você já está em terapia e sente que não avança, leia terapia sem melhora: o que ajustar.

Para levar daqui

As melhores perguntas são simples: o que você entende do meu caso, o que vamos fazer, como vamos saber se está funcionando e o que muda se não estiver. Um psicólogo preparado responde a elas sem se sentir ameaçado. Se quiser conhecer a abordagem que utilizo, a página sobre terapia cognitivo-comportamental explica o formato, e as mesmas perguntas valem para mim e para qualquer outro profissional.

Este texto tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional individualizada.

Perguntas frequentes

O psicólogo é obrigado a explicar o método que vai usar?

Você tem o direito de entender, em linguagem acessível, como o profissional compreende o seu problema e o que ele pretende fazer. Não é necessário citar estudos, mas a explicação deve fazer sentido para você. Se as respostas forem sempre vagas ou evasivas, vale considerar outra opinião.

É falta de educação perguntar se a terapia funciona?

Não. É uma pergunta legítima e parte de uma decisão compartilhada. Um bom profissional costuma acolhê-la e transformá-la em conversa sobre objetivos, formas de acompanhar o andamento e prazos de revisão. Se a pergunta gera irritação, esse também é um dado sobre o estilo de trabalho.

Preciso conhecer o nome da abordagem antes da primeira sessão?

Não é obrigatório, mas ajuda. Você pode perguntar por mensagem ou na própria sessão qual abordagem será usada e como ela se aplica ao seu caso. Não precisa decorar termos técnicos: o importante é que a explicação seja compreensível e coerente com o que você procura.

Posso trocar de psicólogo se a resposta não me convencer?

Pode. A escolha é sua, e o vínculo com o profissional é um dos fatores associados a melhores resultados. Se possível, converse antes sobre a insatisfação, pois isso pode esclarecer dúvidas ou ajustar o plano. Se mesmo assim não houver confiança, trocar de profissional é uma decisão legítima.

Um psicólogo pode indicar ou suspender remédio?

Não. Orientar o início, a troca ou a parada de medicamentos é função do médico. O psicólogo pode conversar com o seu médico, com a sua autorização, e encaminhar quando perceber necessidade de avaliação médica. Em caso de dúvida sobre remédio, procure o médico que acompanha você.

Referências

  1. PubMed: Evidence-based practice in psychology (APA Presidential Task Force on Evidence-Based Practice, American Psychologist, 2006)
  2. PubMed: Psychotherapies for depression: a network meta-analysis covering efficacy, acceptability and long-term outcomes of all main treatment types (Cuijpers e colaboradores, World Psychiatry, 2021)
  3. PubMed: The impact of accommodating client preference in psychotherapy: A meta-analysis (Swift e colaboradores, Journal of Clinical Psychology, 2018)

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