O que são o PHQ-9 e o GAD-7, como funcionam as pontuações e por que são usados para acompanhar a terapia, sem substituir o diagnóstico profissional.
Você pode ter visto as siglas PHQ-9 e GAD-7 em um formulário de consulta, em um aplicativo ou em um relatório. São questionários curtos, amplamente usados em pesquisa e em serviços de saúde, que ajudam a descrever a intensidade de sintomas de depressão e de ansiedade e a acompanhar mudanças ao longo do tempo. Vale entender o que são, como se pontuam e, sobretudo, o que não podem fazer.
Em resumo: O PHQ-9 tem nove perguntas sobre sintomas de depressão e pontua de 0 a 27. O GAD-7 tem sete perguntas sobre sintomas de ansiedade e pontua de 0 a 21. Ambos servem para triagem e para acompanhar a gravidade ao longo do tempo, mas não fazem diagnóstico. A interpretação depende de avaliação clínica individual, que considera história, contexto e outros fatores.
PHQ-9: o que mede
O PHQ-9 é o módulo de depressão do Patient Health Questionnaire. Cada uma das nove perguntas corresponde a um critério de depressão e é respondida de 0 (nenhum dia) a 3 (quase todos os dias), em geral considerando as últimas duas semanas. No estudo de validação de Kroenke e colaboradores (2001), com 6.000 pacientes de clínicas de atenção primária, pontuações de 5, 10, 15 e 20 corresponderam a depressão leve, moderada, moderadamente grave e grave. Uma pontuação igual ou superior a 10 teve sensibilidade e especificidade de 88% para depressão maior naquele estudo, em comparação com a entrevista de um profissional de saúde mental.
As perguntas tratam de humor deprimido, perda de interesse ou prazer, sono, energia, apetite, sentimento de culpa ou inutilidade, concentração, lentificação ou agitação e pensamentos de morte. Ou seja, o instrumento resume sintomas, mas não explica causas, contexto nem história de vida.
No Brasil, um estudo de base populacional em Pelotas (Santos e colaboradores, 2013), com 447 participantes, encontrou que o ponto de corte acima de 9 teve a melhor combinação de sensibilidade (77,5%) e especificidade (86,7%) para detectar episódio depressivo maior na comunidade. Os números mostram duas coisas: o instrumento é útil para triagem, e nenhum questionário acerta sempre.
GAD-7: o que mede
O GAD-7 foi desenvolvido para identificar prováveis casos de transtorno de ansiedade generalizada e avaliar sua gravidade. Spitzer e colaboradores (2006) o testaram com 2.740 adultos em 15 clínicas de atenção primária e encontraram boa confiabilidade e validade, com um ponto de corte que equilibrou sensibilidade de 89% e especificidade de 82%. As pontuações altas se associaram a mais prejuízo funcional e mais dias de incapacidade. O estudo também indicou que sintomas de ansiedade e de depressão, embora frequentemente juntos, são dimensões distintas.
As perguntas do GAD-7 abordam sensação de nervosismo ou tensão, dificuldade de parar ou controlar as preocupações, preocupação excessiva com várias coisas, dificuldade de relaxar, inquietação, irritabilidade e medo de que algo ruim aconteça. O instrumento não distingue, sozinho, uma ansiedade proporcional a uma situação difícil de um transtorno, e é aí que entra o julgamento clínico.
| Instrumento | O que mede | Perguntas e pontuação | Faixas de gravidade |
|---|---|---|---|
| PHQ-9 | Sintomas de depressão | 9 itens, de 0 a 27 | 5, 10, 15 e 20 pontos |
| GAD-7 | Sintomas de ansiedade generalizada | 7 itens, de 0 a 21 | 5, 10 e 15 pontos |
Como entram no acompanhamento da terapia
Aplicados no início, os questionários fornecem a linha de base. Repetidos a cada poucas semanas, mostram a tendência. Em um estudo de Löwe e colaboradores (2004), com pacientes ambulatoriais acompanhados por cerca de um ano, as mudanças no PHQ-9 diferenciaram quem melhorou, quem ficou igual e quem piorou, o que indica sensibilidade a mudança. Essa lógica é a base do que a literatura chama de monitoramento de resultados, detalhado em psicoterapia com monitoramento de resultados.
Uma queda de poucos pontos pode refletir apenas a variação natural da medida. Por isso o ideal é olhar a tendência em várias aplicações, junto com o seu relato e com o que mudou na rotina.
Existem outros tipos de instrumentos, como questionários mais amplos de bem-estar e funcionamento, que complementam a visão de sintomas. Entender a diferença entre sintoma e funcionamento ajuda a interpretar qualquer pontuação, e é o tema de sintomas e funcionamento na evolução da terapia. E para saber quanto uma queda de pontuação significa na prática, veja melhora clinicamente significativa.
O que a pontuação não diz
- Não é diagnóstico. Uma pontuação alta não confirma um transtorno, e uma baixa não o exclui. O diagnóstico depende de avaliação individual. Veja diagnóstico de depressão: existe exame? e diferença entre ansiedade, estresse, pânico e depressão.
- Não cobre todos os quadros. O GAD-7 foi pensado para ansiedade generalizada, e outras formas de ansiedade, o luto, o trauma ou o uso de substâncias exigem outras investigações.
- Não captura o significado. Dois números iguais podem corresponder a vivências muito diferentes.
- Depende da sinceridade e do momento da resposta, e pode variar com o humor do dia. Os limites desse tipo de instrumento estão em limites das escalas e dos indicadores na terapia.
Usando com segurança
Responder a esses questionários em casa pode ser um ponto de partida para uma conversa, mas teste ou questionário online nunca confirma diagnóstico, e a pontuação não deve ser usada para decidir sozinho sobre tratamento ou medicação. Leve o resultado a um psicólogo ou a um médico e converse sobre o que você vem sentindo. Quem tem acompanhamento pode perguntar ao profissional qual instrumento faz sentido para o seu caso, em que frequência e como o resultado será usado.
Se você já tem diagnóstico e tratamento em curso, não interrompa nem altere nada por causa de uma pontuação: converse com o médico ou o psicólogo que acompanham você.
Uma das perguntas do PHQ-9 trata de pensamentos de que seria melhor estar morto ou de se machucar. Se você marcou algo nessa pergunta, não deixe para depois: converse com alguém de confiança e procure um profissional. O CVV atende gratuitamente pelo 188, 24 horas, e em emergências o SAMU atende pelo 192.
Para levar daqui
PHQ-9 e GAD-7 são réguas curtas e úteis, não sentenças. Valem mais quando acompanham a conversa clínica do que quando substituem essa conversa. Para explorar os temas em profundidade, as páginas sobre depressão e ansiedade reúnem informações sobre sinais, tratamento e quando buscar ajuda.
Este texto tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional individualizada.
Perguntas frequentes
O que é o PHQ-9?
É um questionário de nove perguntas sobre sintomas de depressão nas últimas duas semanas, cada uma pontuada de 0 a 3, com total de 0 a 27. É usado para triagem e para acompanhar a gravidade ao longo do tempo. Ele não substitui a avaliação clínica nem confirma, sozinho, um diagnóstico.
O que é o GAD-7?
É um questionário de sete perguntas sobre sintomas de ansiedade generalizada, com pontuação de 0 a 21. Foi desenvolvido para identificar prováveis casos de transtorno de ansiedade generalizada e avaliar a gravidade. Como o PHQ-9, serve para triagem e acompanhamento, mas não faz diagnóstico por si só.
Posso me diagnosticar com o PHQ-9 ou o GAD-7?
Não. Esses questionários indicam intensidade de sintomas e ajudam a decidir se vale investigar melhor, mas não confirmam transtorno. O diagnóstico exige avaliação clínica individual, que considera história de vida, duração, impacto no funcionamento e outras possíveis explicações. Leve o resultado a um profissional.
Uma pontuação alta significa que preciso de remédio?
Não necessariamente. A pontuação descreve a intensidade dos sintomas, mas a decisão sobre tratamento depende de avaliação profissional. Psicoterapia, medicação ou ambos podem ser considerados. Qualquer decisão sobre medicamentos deve ser tomada com o médico, e nunca apenas com base em um questionário.
Com que frequência esses questionários são aplicados na terapia?
Varia. Quando são usados, costumam ser aplicados no início, para a linha de base, e repetidos a cada poucas semanas ou a cada sessão, dependendo do formato combinado. O mais importante é que o resultado seja conversado com você e usado para decidir ajustes, e não apenas arquivado.
Referências
- PubMed: The PHQ-9: validity of a brief depression severity measure (Kroenke e colaboradores, Journal of General Internal Medicine, 2001)
- PubMed: A brief measure for assessing generalized anxiety disorder: the GAD-7 (Spitzer e colaboradores, Archives of Internal Medicine, 2006)
- PubMed: Sensibilidade e especificidade do Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9) entre adultos da população geral (Santos e colaboradores, Cadernos de Saúde Pública, 2013)
- PubMed: Measuring depression outcome with a brief self-report instrument: sensitivity to change of the Patient Health Questionnaire (PHQ-9) (Löwe e colaboradores, Journal of Affective Disorders, 2004)




